"Nunca amamos ninguém.
Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém.
É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isso é verdade em toda a escala do amor.
No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho.
No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa."
"Nunca sabemos quando somos sinceros.
Talvez nunca o sejamos.
E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo por coisa contrária."
"O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade."
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
(Todos os excertos são de Fernando Pessoa)
Quinteto vocabulástico
Saber, amar, sentir, agir, mudar.
Estou naquela fase em que tudo e nada me atraem.
Quero o mundo. E quero nada.
Busco liberdade onde me quero prender.
A ânsia de viver tudo, me afasta da vida.
Estarei remando contra a maré?
Sim, com certeza - diz-me a voz.
Ao tentar encontrar a vida, perdê-la-ei.
Espinho na carne. É a sensação.
Dói, incomoda, fere e enquanto não o tiramos, impede-nos de continuar.
(to be continued...)
Sem comentários:
Enviar um comentário